Auto-flagelo?

O problema não está em não conseguir lutar, mas se acostumar com o fracasso.

15

de

junho

Coração Colorado Partido

 

Eu tô aqui feito uma retardada chorando. Eu tinha seis anos mais ou menos quando os meus primos gremistas implicavam comigo, porque naquela época o Grêmio ganhava bem mais que o inter, vencendo até o próprio colorado, e a maioria das crianças que eu conhecia eram gremistas. E eu sempre gritava defendendo o inter e carregava a minha mini bola já murcha do Inter pra qualquer lugar que eu fosse. Eu costumava assistir aos jogos do Inter sentada no chão com todas as minhas camisetas, meu saci de brinquedo e a identidade de torcedor colorado no chão. Eu chorava e gritava com cada gol, xingava o juíz de palavrões que eu acho que nem mesmo existem. Eu brigava com meu pai gremista e com meus colegas de classe que chamavam o Inter de ‘piada’. Eu cresci longe do Rio Grande do Sul e só visitava o Sul nas férias do final do ano, mas isso não me impedia em nada de continuar amando o meu time e o defendendo, mesmo que eu conseguisse ver poucos jogos. Meus tios gremistas sempre se vangloriavam pelo fato do Grêmio já ter sido campeão mundial e o Inter não e eu sempre acreditei que o Inter um dia fosse conseguir. Lembro que quando ganhamos a Libertadores eu fui com a camiseta do Inter pro colégio e passei a aula abraçada à ela. Lembro que no jogo contra o Al Ahli eu tinha que fazer umas provas. Eu fiz e fugi para a biblioteca pra ver o jogo debaixo da mesa sem volume pra ninguém descobrir. Na final contra o Barcelona havia a festa da empresa em que o meu pai trabalhava e por sorte tinha muitos colorados. O jogo foi interrompido várias vezes por queda de energia e eu mal conseguia pensar direito quando vi que tinhamos ganho. E lá estava o jogador que eu mais admirava segurando aquela tão esperada taça, bordando na camiseta vermelha a tão sonhada estrela. E eu roubei todas as edições do ZeroHora do meu tio que falava da vitória. E agora com a saída do Fernandão eu sinto um aperto enorme no coração. Saber que eu não vou mais poder gritar o nome dele ao ver os jogos pela Tv. Ver a minha foto com o uniforme do Inter quando eu era menor e sentir-me quebrada.

 

Porque eu amo demais esse time. Eu amo demais vestir essa camiseta e poder dizer que aquele é o meu time. Eu sempre disse independente se o momento em que o Inter se encontrava era bom ou não. Talvez eu não seja uma das torcedoras mais exemplares, mas eu não consigo aceitar a saída dele. Não dá. Eu lembro até hoje da vez que eu quase consegui chegar no sul a tempo de vê-los depois do Mundial e isso me dói, porque eu não sei se ele vai voltar. Eu não me arrependo de nenhum centavo que eu gastei naquele dia em que eu comprei o DVD do Inter. Não me importei com quando me chamaram de ‘fanática idiota’ e nem me importo agora.

 

E o meu coração colorado tá muito machucado, mas ele vai se curar. E o Fernandão um dia vai voltar.

 

Glória do desporto nacional
Oh, Internacional
Que eu vivo a exaltar
Levas a plagas distantes
Feitos relevantes
Vives a brilhar
Correm os anos, surge o amanhã
Radioso de luz, varonil
Segue tua senda de vitórias
Colorado das glórias
Orgulho do Brasil

É teu passado alvi-rubro
Motivo de festas em nossos corações
O teu presente diz tudo
Trazendo à torcida alegres emoções
Colorado de ases celeiro
Teus astros cintilam num céu sempre azul
Vibra o Brasil inteiro
Com o clube do povo do Rio Grande do Sul.

 

_ E o Inter que vai ganhar, né Daniela?

_ É sim, Tio.

 

 

E eu vou ver cada jogo vibrando por mim e por você que não está mais comigo.. E obrigado por me apresentar a este time quando eu era apenas uma criança.

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